Dicionário do Pensamento Marxista: Luta de Classes

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De acordo com o Manifesto Comunista, é a “história de todas as sociedades existentes até hoje”. Essa tese recebeu diferentes modificações, contudo o ponto de vista marxista mais generalizado é o que diz que é na sociedade capitalista que as classes fundamentais se diferenciam mais claramente, que a consciência de classe se desenvolve de maneira mais completa e que as lutas de classe são mais agudas, mais próximas a uma transição para o socialismo, isto é, para uma sociedade sem classes.

A pesquisa e o debate marxistas tem se concentrado no desenvolvimento da luta de classes nos tempos modernos. A questão crítica é se, a partir da emergência do movimento operário no século XIX, houve uma intensificação da luta de classes. No marxismo, isso começou com Berstein (1899) que afirmou que, no final do século XIX, não estavam ocorrendo nem polarização das classes nem intensificação da luta de classes, dados o crescimento da classe média, a crescente complexidade da estrutura de classes e a elevação do nível de vida. Estudos mais recentes também chamam a atenção para o desenvolvimento e o declínio de uma consciência de classe revolucionária no segundo quartel de século XX, explicado em função de uma reimposição da autoridade capitalista através da ampliação do sufrágio, crescimento dos partidos de massa e reconhecimento jurídico dos sindicatos (Foster, 1974). O caso da sociedade norte-americana, onde jamais surgiu um partido socialista de massa, nem se registraram lutas de classes política em escala considerável, levou alguns marxistas e outros pensadores radicais nos Estados Unidos a revisões devastadoras da teoria marxista – como Mills que rejeita a concepção de uma luta de classes fundamental e do papel da classe operária como principal agente da transformação social.

Outra questão é decidir se os movimentos de oposição e as rebeliões, como o de 1956 na Hungria ou de 1981 na Polônia, são lutas de classe; se não, que forças sociais representam. É preciso saber se uma nova estrutura de classes ter-se-á ou não constituído e se há uma nova classe dominante. Em alguma dessas sociedades a luta nacional adquiriu considerável importância, como nos países capitalistas do Ocidente onde, nas últimas décadas, os conflitos sociais envolveram grupos nacionais, étnicos ou religiosos, movimentos sociais de caráter amplo, além das classes. A tarefa da análise marxista hoje é enquadrar essas diversas lutas em uma teoria e determinar empiricamente a importância específica das lutas de classes em condições estruturais e históricas diversas. Isso também exige um reexame da luta de classes no final do século XX, não mais em termos de uma confrontação exclusiva entre burguesia e proletariado, mas em termos de alianças entre vários grupos sociais que de um lado dominam e dirigem a vida econômica e social e de outro são subordinados e dirigidos.

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Bibliografia:

BOTTOMORE, Tom. Dicionário do pensamento marxista. Trad. de Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

Rolf Amaro

Nascido em 83, formado em Ciências Sociais, músico, sempre ando com um livro na mão. E a Ana,minha senhora, na outra.

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