Navegantes, Bandeirantes, Diplomatas: Prefácio

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Navegantes, bandeirantes e diplomatas constituem elementos típicos da história brasileira. O autor sublinha o papel desses três agentes sociais e os encarna em homens singulares: Colombo, Vespúcio, Cabral, Pedro Teixeira, Raposo Tavares, Alexandre de Gusmão, Ponte Ribeiro, Rio Branco. Suas ações são consideradas em função da formação das fronteiras do Brasil.

O autor é o diplomata Synesio Sampaio Goes Filho, atual Embaixador do Brasil em Lisboa. Paulista da cidade de Itu, graduou-se em Direito pela Universidade de São Paulo, entrando em seguida para o Itamaraty. Especialista em comércio internacional e historiador, foi professor de história diplomática no Instituto Rio Branco. Exerceu funções diplomáticas na França, no Peru e na Inglaterra, tendo sido também embaixador na Colômbia. Ocupou, ainda, a chefia de gabinete do Ministério do Exterior, nas gestões dos Ministros Celso Lafer e Fernando Henrique Cardoso, e do Ministério da Fazenda, na administração deste último.

Entre as questões que estuda, merecem destaque as seguintes:

  • a valorização de aspectos menos conhecidos da ocupação do atual Sul do Brasil, como os relacionados à província jesuítica do Guairá e à província de Vera (Região Sul do Brasil);
  • o uso político-ideológico da cartografia, com a oscilação da linha de Tordesilhas ao sabor da nacionalidade ou interesse do autor;
  • o significado do rio Madeira para ligar duas grandes frentes de colonização, a do Norte, localizada no Estado do Maranhão, e a dos bandeirantes, que, a partir do Sul, dirigiam-se para Goiás, Mato Grosso e à região do rio Guaporé, unindo pelas “monções do Norte” as entidades políticas coloniais, Brasil e Maranhão;
  • a definição do papel do Estado português no processo expansionista do Brasil;
  • a formação das fronteiras do Brasil concebida como um diálogo entre o bandeirante e o diplomata, tipos emblemáticos, respectivamente, da ação privada e da ação estatal na construção do país;
  • a identificação, nas três etapas institucionais do Brasil, de Alexandre de Gusmão, Duarte da Ponte Ribeiro e o Barão do Rio Branco. A inclusão de Ponte Ribeiro, para o autor, deve-se ao fato de ser “talvez o diplomata que mais contribuiu para a formulação e execução da bem sucedida política de fronteiras do Império”.

Este ensaio de Synesio Sampaio Goes Filho sobre a formação das fronteiras do Brasil relaciona com argúcia e profundidade o processo social com a ação de alguns pró-homens, “navegantes, bandeirantes, diplomatas”. A concepção geral, a análise de cada conjuntura e os destaques biográficos a elas relacionados são absolutamente pertinentes, o que deve ser estendido ao uso que faz da historiografia brasileira e sobre o Brasil e da historiografia hispano-americana.

Navegantes, Bandeirantes, Diplomatas – Um Ensaio Sobre a Formação das Fronteiras do Brasil valoriza a tarefa ciclópica de construção do espaço social e a habilidade luso-brasileira em mantê-lo diplomaticamente, pelo argumento substantivo do “uti possidetis” (determina que cada parte conserve o que ocupa no terreno) e pelo emprego processual, com Rio Branco, do arbitramento.

Se a sociedade constrói a fronteira, os diplomatas costuram seu limes. De ambos os processos deu conta cabal nosso autor.

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Bibliografia:

WEHLING, Arno. Prefácio in GOES FILHO, Synesio Sampaio. Navegantes, bandeirantes, diplomatas: um ensaio sobre a formação das fronteiras do Brasil. Brasília: FUNAG, 2015.

Agradecemos à Patrícia Derolle, do E-Internacionalista, pela dica.

A íntegra da obra pode ser acessada aqui.

Rolf Amaro

Nascido em 83, formado em Ciências Sociais, músico, sempre ando com um livro na mão. E a Ana,minha senhora, na outra.

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