História Geral da África, I – Geografia Histórica: Aspectos Físicos

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Este é o resumo de Geografia Histórica: Aspectos Físicos, capítulo 13 de História Geral da África, obra organizada pela UNESCO. Boa leitura!

Características da arquitetura do continente africano

Admite-se que a África pertence a um continente muito antigo que compreendia a América, o sul da Ásia e a Austrália. Este continente, Gonduana, seria a manifestação dos primeiros esforços orogênicos da crosta terrestre que deram origem a grandes cordilheiras. Estes dobramentos foram reduzidos a peneplanos, cujos maiores exemplares são encontrados na África.

Originalidade geológica da África

A originalidade do continente africano é atestada, primeiramente, pela extensão excepcional do embasamento pré-cambriano, que ocupa a maior parte da superfície. Este embasamento compreende rochas metamórficas (xisto, quartzito, gnaisse) e rochas cristalinas (granito) muito antigas e de grande rigidez. Com exceção do sistema alpino do Magreb e das dobras hercinianas do Cabo e do sul do Atlas, o conjunto da África e Madagáscar formam uma plataforma antiga e estável.

Influências paleoclimáticas

O continente africano foi afetado por longas fases de erosão consecutivas aos movimentos orogenéticos, o que resultou na formação de vastas superfícies aplainadas. Nesse processo de evolução das formas do relevo, o fator mais importante foram as variações climáticas. A alternância de climas úmidos e semiáridos traduziu-se por fases de alteração das rochas e de erosão linear ou em lençol. Os paleoclimas são responsáveis pela existência do Saara, onde a presença de numerosos vestígios líticos e de fósseis de uma fauna do tipo equatorial prova que em tempos remotos houve um clima úmido favorável à fixação do homem. Dessa forma, os períodos pluviais aumentaram consideravelmente a proporção da superfície total do continente favorável à vida humana. Os períodos áridos, por outro lado, favoreceram a extensão de superfícies desérticas para além de seus limites atuais, tornando o Saara um hiato climático entre o Mediterrâneo e o mundo tropical. Desse modo, o maior deserto do mundo desempenhou um papel capital no isolamento geográfico de uma grande parte da África.

A natureza maciça do continente africano

O caráter maciço da África é realçado pela ausência de recortes profundos na costa, presentes, por exemplo, na Europa e na América Central. Além disso, as ilhas não constituem uma parte significativa do continente, cuja forma esculpida é fortemente acentuada pela simplicidade do contorno e pelo fraco desenvolvimento da plataforma continental. A aparente simplicidade do relevo encobre apreciáveis diferenças regionais. O Magreb, por exemplo, tem uma marcante individualidade, assemelhando-se ao mundo europeu por suas cordilheiras e seu relevo compartimentado.

O isolamento geográfico

Devido à sua natureza maciça e seu relevo pesado, a África ficou isolada até uma época recente. Com exceção da África do Norte, voltada para o mundo mediterrâneo, o continente permaneceu por séculos fora das principais rotas de comércio. A África apresenta, no entanto, um ponto de contato com a Ásia: o istmo de Suez, que foi o corredor de passagem privilegiado das grandes migrações pré-históricas. A maior parte da linha costeira africana é banhada por dois oceanos, utilizados de maneira desigual até os tempos modernos. O Atlântico não foi frequentado até o século XV. Antes dessa época, as técnicas de navegação à vela não permitiam que navegadores árabes, por exemplo, viajassem para além das costas do Saara, dada a impossibilidade de velejarem contra os alísios que sopravam permanentemente em direção ao sul. O oceano Índico, ao contrário, sempre favoreceu o contato entre a África oriental e o sul da Ásia, graças ao regime de alternância das monções do oceano Índico.

Os obstáculos citados nunca foram intransponíveis. Os fatores humanos sem dúvida explicariam melhor o fraco interesse das populações litorâneas africanas pelas grandes expedições marítimas.

A zonalidade climática da África

Uma notável originalidade do continente africano é a sucessão de faixas climáticas ordenadas paralelamente ao Equador. Em ambos os hemisférios, os regimes pluviométricos africanos diminuem progressivamente em direção às altas latitudes. Por possuir a maior parte do território na zona intertropical, a África é o continente mais uniformemente quente do mundo. Este calor se faz acompanhar de seca, crescente em direção aos trópicos, ou de umidade, geralmente mais elevada nas baixas latitudes.

Fatores cósmicos

Neste continente intertropical por excelência, as diferenciações climáticas dependem muito mais das chuvas que das temperaturas, que na maior parte das regiões são elevadas em todas as estações. Em seu movimento aparente, o sol nunca desce muito abaixo do horizonte. Nas regiões próximas ao Equador observa-se uma ausência de estação térmica, pois há poucas variações sazonais de temperatura. As amplitudes anuais são da ordem de 3º a 4º. À medida que nos aproximamos dos trópicos do norte e do sul, porém, observamos um crescente contraste de temperaturas. No Saara registram-se fortes amplitudes – da ordem de 15º – entre as temperaturas médias de janeiro e julho. Resumindo, os fatores cósmicos determinam dois tipos principais de regimes térmicos: regular nas latitudes equatoriais e progressivamente contrastado à medida que nos aproximamos dos trópicos.

Conclusão

A África aparece como um velho continente que foi ocupado por povos que cedo desenvolveram esplêndidas civilizações. O espaço africano é mais maciço e continental do que qualquer outro. Vastas regiões no coração do continente, a uma distância de mais de 1500 km do mar, permaneceram durante muito tempo à margem das grandes correntes de circulação, o que explica a importância das depressões meridianas, como o Rift Valley da África oriental, para a fixação do homem desde a Pré-História. Durante milhares de anos, o Saara úmido foi um dos maiores centros de povoamento do mundo. Mais tarde, os períodos secos contribuíram para a formação de imensos desertos como o Saara e o Calaari. Os intercâmbios de todo tipo entre as diversas civilizações do continente foram, por conseguinte, prejudicados, mas não interrompidos. Dessa forma, o clima constitui um fator essencial para a compreensão do passado africano. As sociedades africanas tiraram proveito da complementaridade das zonas climáticas para estabelecer entre si as correntes de intercâmbio mais antigas e vigorosas. Finalmente, a história da África foi particularmente influenciada pela riqueza mineral, que constitui um dos principais fatores da atração que o continente sempre exerceu sobre os povos conquistadores. Assim, o ouro da Núbia e de Kush foi explorado pelas dinastias do antigo Egito. Mais tarde, o ouro da África tropical, principalmente da região sudanesa e do Zimbabwe, tornou-se fonte de prosperidade das sociedades do norte da África e do Oriente Próximo e suporte dos grandes impérios africanos do sul do Saara. Em tempos remotos, o ferro foi objeto de troca entre a floresta e as regiões tropicais da África. As salinas da orla do Saara tiveram um papel importante nas relações entre os Estados negros do Sudão e dos povos árabe-berberes do norte da África. Mais recentemente, a riqueza mineral da África tem sido explorada pelas potências coloniais.

Leia a íntegra do texto aqui.

Bibliografia:

DIARRA, S. Geografia Histórica: Aspectos Físicos. In: História geral da África, I: Metodologia e pré-história da África. 2.ed – Brasília: UNESCO, 2010.

Rolf Amaro

Nascido em 83, formado em Ciências Sociais, músico, sempre ando com um livro na mão. E a Ana,minha senhora, na outra.

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